Escrevo aqui no presente para que no futuro seus olhos possam se lembrar de mim, quando sua mente me esquecer


24/12/2008


 

- Mais uma xícara de café -

Parte IV - Final

 

 

Domingo. Eu podia ouvir as crianças brincando, alheias a tudo. Por alguns instantes, desejei um pouco da "alienação casual" das crianças. É tudo tão fácil quando se é criança. As coisas são tão mais simples. E agora, eu estava ali, e, já não era mais uma criança. Eu tinha todos os motivos para querer ser uma naquele momento, e, apenas um motivo para querer ser exatamente o que sou agora. O mesmo motivo que me conduziu por ruas pouco conhecidas por mim ate aquela rua. E eu agora estava ali, num misto de medo e coragem, de vontade e desejo, em frente aquele prédio.

 

Desci do carro. Dei alguns passos adiante. Parei por um breve instante. Olhei ao redor. Ainda tinha todo aquele cenário, reflexo constante em minhas pupilas, lembrança da ultima vez em que estive ali, numa situação um tanto quanto diferente. Ventava, uma brisa que vinha de encontro ao meu rosto, e, brincava com os meus cabelos, exatamente como ela gostava de fazer com os dedos. Sorri. Passei a mão pelos cabelos e inspirei um pouco daquele vento. Precisava respirar. O tempo todo eu precisava respirar. Não sei em que momento, eu olhei para trás. Mas, eu estava ali, diante aquele prédio. Não tinha mais senões. Não podia mais recuar. Precisava ser assim. Tinha de ser assim.

 

Dei mais alguns passos. Em comunicação com o porteiro, me anunciei. Ele me olhou, um pouco descrente, um pouco curioso. Era como se ele pudesse ler através dos meus olhos. Ou talvez, eu estivesse tão nervoso que deixava transparecer aquela situação um ar tragicômico. Eu não sei, mas alguns instantes depois de eu ter me anunciado, ele retornou a mim e disse: "A doutora já vai descer." Foi o suficiente. O suficiente para que eu me sentisse um adolescente. As minhas mãos tremiam e transpiravam frio. Incontáveis vezes as levei aos cabelos, num movimento rápido e repetido. Andava de um lado e de outro, sem sequer sair do mesmo lugar. Eu estava ali e o meu futuro estaria sendo decidido exatamente nas palavras que sairiam dos meus lábios. Era preciso saber o que dizer. Era preciso empregar corretamente. A mais difícil prova da minha vida.

 

Não demorou muito que ela viesse ao meu encontro. Podia sentir o seu perfume no ar, ao longe, antes mesmo que ela se aproximasse verdadeiramente de mim. Sentia os olhos curiosos do porteiro, um mero expectador daquele momento. Se ele soubesse que era exatamente aquele o momento mais importante da minha vida, se atentaria muito mais do que pela simples curiosidade. Mas, ela enfim veio ate mim, e, na sua cordialidade de sempre me cumprimentou com a saudação habitual.

 

- Oi!

- Oi!

 

Um silencio. Como eu temia aquele silencio! Como eu os detestava! E eu sei que ela também. Geralmente, prolongados períodos de silencio terminavam mal. Eu não podia deixar que tudo seguisse o mesmo desfecho. Aquilo tudo era muito importante para mim e eu não estava disposto a perder por causa de alguma palavra que deixou de ser dita.

 

- Desculpe por ter vindo assim sem avisar. - rompi o silencio.

- Não se desculpe. Eu mesmo lhe disse que poderia fazer isso e que não precisaria me avisar. - interveio ela ainda distante.

- Eu sei, por isso mesmo, senti-me um pouco mais a vontade para assim fazer.

 

Droga! Não estava saindo nada bem. Estávamos tendo o que ela mais detestava. Uma conversa formal. Eu não podia deixar que as coisas seguissem para esse lado. Era preciso se conscientizar que eu não estava numa reunião de negócios. Estava diante da mulher que eu amo. Eu sabia disso, mas era preciso fazer com que ela também soubesse.

 

- Eu vim, porque acho, sinceramente, que precisamos conversar. E isso tinha que ser pessoalmente.

- Também acho.

- Então, podemos?

- Claro. Como você quiser.

 

Em outras situações eu teria me sentido incomodado com este "como você quiser". Mas, agora era diferente.

 

- Deseja ir a algum lugar para que possamos conversar mais a vontade?

- Talvez. Mas, deixo a seu critério.

- Tudo bem. Acho que sei onde podemos ir.

 

Saímos do prédio em direção ao carro. Foi tudo tão estranho. Estávamos lado a lado como muitas vezes desejamos que estivéssemos e eu nem sabia o que fazer. Parecíamos dois estranhos. E eu não sabia o que fazer. Eu queria mesmo segurar a mão dela e fazer este mesmo trajeto de mãos dadas, sentindo o calor de suas mãos, ao mesmo tempo em que poderia sentir todo o carinho que só ela sabe me dar. Mas, todo o calor que eu sentia naquele momento era dos poucos raios de sol que rompiam as nuvens naquela tarde. Tarde nublada. Assim como eu estava. Um pouco nublado. A espera que alguns raios de sol viessem romper as minhas nuvens e me dissessem que direção seguir.

 

Quando entrei no carro, eu não tinha a mínima idéia para onde levá-la. Pensei em levá-la ao shopping, mas achei que o barulho, o burburinho das pessoas em pleno domingo não seriam muito convidativos e apropriados para aquela conversa. E durante o trajeto que fizemos ate o carro, eu vinha pensando onde eu poderia levá-la.

 

Estávamos no carro, quando fechamos as portas e eu sem a mínima idéia de onde ir agora, liguei instintivamente o som. Com toda aquela situação, eu me esqueci que tinha deixado um CD dentro do som, que começou a tocar algo que nos era muito familiar, a nossa musica.

 

- Desculpe. - disse, rapidamente abaixando o volume do som.

- Tudo bem.

- Não creio que seja o momento.

- Talvez.

 

Mais um silencio. Mas, aquele meu "erro" não foi de todo um erro. Parece que aquela musica me fez clarear as idéias, e, me fez ter a certeza de onde eu poderia ir naquele momento. Na verdade, eu só poderia ir mesmo aquele lugar. Não haveria nenhum outro mais apropriado para ir.

 

- Vamos?

- Sim.

- Tudo bem com você? - pergunta idiota, mas que eu fiz no intuito de evitar mais um silencio.

- Mais ou menos. E com você?

- Indo.

- E sua saúde?

- Estou bem, estou fazendo tudo o que me pedem. Sigo conforme me orientam.

- Tem sentido dores?

 

Ah, se ela imaginasse as dores que eu tenho sentido! Dores muito mais fortes dos que eu sentia antes. Dores insuportáveis. Dores da ausência dela. Dores da saudade. Dores da absurda falta que ela estava me fazendo.

 

- Não mais como antes.

- Isso é bom.

- Sim. Isso é bom.

- Rezei para que tudo ficasse bem com você.

- Obrigado.

 

Dirigia. Seguia em direção a um lugar onde pudéssemos conversar sem que fossemos interrompidos. Era preciso. Eu não fazia idéia de como ia ser esta conversa, de como eu abordaria o assunto. Bem como eu não tinha noção do tempo que isso delongaria. A única coisa que eu tinha certeza é de que só existia aquele lugar, aquele lugar onde poderíamos conversar naquela tarde de domingo.

 

- Para onde estamos indo?

- A um lugar tranqüilo onde possamos conversar sem sermos interrompidos. Esta conversa é muito importante e acho que não poderíamos te-la no shopping, por exemplo.

- É, creio que não.

 

Parei o carro. Ela olhou o lugar, e, obviamente, o reconheceu. O mesmo lugar em que tantas vezes ela se refugiou em tardes como aquela, em vários domingos. Um parque, um lago. Exatamente ali. Os três elementos reunidos. E eu a espera que o quarto viesse de encontro a nos dois. O fogo. O fogo da paixão, do amor, que jamais abandonou o meu coração.

 

- Aqui?

- Sim.

- Por quê?

- Porque acho que este lugar nos trará a tranqüilidade que nos é necessária para essa conversa. Mas, se quiser, podemos ir a outro lugar. Como você quiser.

- Não. Esta bom aqui.

 

Descemos do carro. Fomos em direção ao lago. E durante o caminho, eu a pude observar ainda melhor.

 

Seus cabelos soltos se deixavam agraciar pelo vento que nos acometia aquela tarde. Movimentos sutis que me eram encantadoramente sedutores. Por vezes, ela também levava a mão aos cabelos, tentando, talvez, conte-los. E tudo isso, feito tão inconscientemente, era tão gracioso, tão gentil, tão delicado. E foi em uma dessas vezes, em que ela passou a mão por eles, revelando assim o seu rosto, que eu pude avaliar melhor a pessoa que estava ali, diante de mim.

 

Ela estava ainda mais linda do que nunca. Ainda mais linda do que todas as vezes que pude vê-la. A dor da situação, o sofrimento eram evidentes, mas insuficientes para corromper ou macular a sua beleza. Ela estava ainda mais bela, ainda mais madura. Suas expressões eram firmes, discretas, seguras. O seu olhar, ainda que um pouco distante, era penetrante, revelador. Revelador daquilo que ela tinha se tornado. Uma mulher. Uma mulher plena, em todos os sentidos. Uma mulher segura daquilo que quer. A minha mulher.

 

A vontade que eu tinha era de segura-la pelo braço, fazendo com ela interrompesse aquela caminhada, e, a colocasse em meu peito, para que eu pudesse abraçá-la e fazê-la acreditar que ninguém mais sabe o que temos, só nos dois. Mas, eu não sabia direito o que fazer. Estava entre a vontade e a razão. A vontade me dizia constantemente que a devia tomar em meus braços e que não a deixasse mais ir embora. A razão me atormentava com uma conversa, uma derradeira conversa que tínhamos de ter. Entre a vontade e a razão, fiquei eu onde eu estava. Ainda mais apaixonado. Completamente entregue aquela mulher. E qualquer que fosse o desfecho daquela conversa, eu tinha a absoluta certeza de que isso jamais mudaria.

 

- Vamos nos sentar? - disse

- Claro, vamos sim.

 

Sentamos a beira daquele lago. A tranqüilidade, o vento sobre os cabelos, os três elementos a espera do quarto, tudo estava ali. E eu ainda não sabia o que fazer, não sabia sequer como começar. Fiquei alguns minutos assim, calado, olhando para o lago, tentando buscar naquelas águas, as palavras que deveriam sair de meus lábios. Mas, inútil. Tudo o que aquele lago conseguia me inspirar era: "eu te amo. Não sei ficar sem você. Eu nunca queria ter deixado você ir embora. Eu preciso tanto de você...".

 

- Eu não sei ao certo como começar esta conversa. - disse eu, enfim, após um longo silencio.

- Eu também não sei. Esperei tanto por isso, que agora nem sei mais.

- Não sabe mais?

- Não sei mais...

- Talvez, seja a nossa ultima conversa.

- Talvez. Eu não tenho as respostas.

- Eu estou aqui para te dar todas.

- Então, me de as suas respostas. Se esta for realmente a nossa ultima conversa, acho que deve falar tudo o que quiser falar.

 

O tom que ela usou para proferir essas palavras me fez tremer. Parecia algo derradeiro. Eu tinha chegado a um ponto da encruzilhada que não tinha mais como voltar. Era a ultima vez. Senti isso pelo tom das palavras delas. Era a ultima vez que eu estava diante dela.

 

- Eu não queria que as coisas acontecessem como aconteceu. - comecei.

- Acho que ninguém queria.

- Eu não queria que nada interferisse no que tínhamos de mais concreto, de mais sólido, de mais certo. O nosso amor. Era dele que eu tirava a coragem para romper os problemas. A única certeza que eu tinha na minha vida.

- Eu sei o que quer dizer. Eu posso dizer o mesmo. - disse ela em um tom suspiroso.

- Talvez, você esteja certa. Talvez, esta seja mesmo a nossa ultima conversa, o nosso ultimo momento. Talvez, quando eu a deixar na porta de sua casa, seja pela ultima vez.

- Talvez.

- Então, que seja pela ultima vez. Pela ultima vez que eu vou fazer exatamente o que eu deveria ter feito há muito tempo atrás.

- Como assim?

- Eu te amo. Eu te amo de verdade. Eu te amo como jamais amei alguém em toda a minha vida. Cometi inúmeros erros, eu assumo todos. Mas, eu nunca brinquei com isso. Eu jamais faria isso com a mulher que eu amo. A mulher mais incrível que eu já conheci. E se essa for a ultima vez que te vejo, a ultima vez que falo com você, que você tenha ciência disso, desse meu amor. Eu te amo, eu te amo tanto, te amo tanto. E eu estou aqui agora. Estou aqui para que tu me diga que caminho devo seguir. Porque eu não aprendi a viver sem você. E preciso que você me diga que caminho devo seguir a partir de agora.

- Talvez...

- Talvez, seja tarde. - interrompi - Tarde demais para falar essas coisas, para tomar certas atitudes. Mas, eu preciso...

 

Então, ela colocou a mão sobre os meus lábios. Calei-me, ao mesmo tempo em que fechei os meus olhos. O contato com a pele tão delicada de sua mão me fez perder completamente os sentidos. Não tinha mais idéia de quem eu era, de onde eu estava. O quarto elemento me consumia inteiramente ao toque da mulher que eu amava.

 

- Eu não preciso de mais nada. Eu tenho tudo o que eu sempre quis. Um lago, um domingo, o amor do homem que eu amo. E você esta aqui comigo, agora. E eu posso enfim dizer tudo o que eu sinto, olhando nos teus olhos. Isso era tudo o que eu precisava. Estar com você. Mas, se você achar que deve seguir um caminho diferente do meu, então...

 

Foi a minha vez de calar a ela. Mas, não foi com a mão, nem tão pouco com os dedos. Foi com a minha boca, que a impediu de terminar a frase. Na verdade, as palavras agora eram desnecessárias. Um beijo. Um beijo longo e demorado. Um beijo desejado. Um beijo necessário. Um beijo capaz de dizer mais do que mil palavras.

 

Novamente unidos, exatamente como deveria estar escrito em alguma daquelas paginas daquele exemplar instintivamente devorado pela minha boa e querida amiga, percorro pelas ruas daquela cidade, de mãos dadas à mulher de toda a minha vida, enquanto, eu ainda consigo sentir vindo de algum lugar, o aroma de mais uma xícara de café.

Escrito por Ariel às 00h12
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

23/12/2008


 

- Mais uma xícara de café -

Parte III

 

- "Foi o melhor ano da minha vida, porque me senti amada como jamais havia sentido"... - suspirei.

 

E um novo silencio. Nem mais uma palavra. Eu tinha mesmo vontade de assumir tudo, todas as minhas frustrações, medos, seja lá o que fosse isso o que eu estava sentindo. Tinha vontade de me entregar à dor do momento, da situação, e, cair em lagrimas. Mas, eu não conseguia. A razão tinha ido embora, e, neste momento, eu era só sentimentos. Algumas lagrimas, no entanto, alheias a minha inútil tentativa de conte-las, teimaram em abandonar o meu coração e percorrer a minha face. Não pude conte-las. Tentei esconde-las. Outra inutilidade.

 

- Desculpe. - disse, colhendo rapidamente as que ainda percorriam aquele trajeto tão conhecido.

- Não tenho porque desculpá-lo. Todos nos precisamos dar vazão aos sentimentos. Se for preciso, deixe-os transbordar. Ninguém o reprimira por isso.

- É, pode ser, mas as minhas lagrimas de agora não farão com que eu apague toda a dor que eu causei a ela. Também, não farão as coisas ficarem diferentes. Não me trarão quem eu mais amo de volta.

- Sim, não farão nada disso, mas pode, ao menos, tentar abrandar um coração que sofre.

- Talvez, mas não o suficiente.

- O suficiente para que?

- Para nada. Nem sei mais o que estou dizendo.

- Acho que você sabe sim. "... o melhor ano da minha vida...". Palavras dela, não são?

- Sim. Mas, ela julga que eu seja um homem manipulador. Alguém que brincou com os sentimentos dela, alguém que a iludiu.

- Não sei se ela realmente pensa isso. Talvez, ate pense, mas ao todo não acredita. Verdadeiramente, ela não acredita. Quanto tempo ficaram juntos?

- 1 ano e 21 dias.

- E acha que alguém pode ficar 1 ano e 21 dias iludindo uma pessoa? Acha que ela não é uma pessoa capaz de perceber a veracidade dos sentimentos? Acha que ela não perceberia se você estivesse brincando com ela?

- Eu não sei. Eu não sei o que ela pensa sobre mim agora. Talvez, ela mesmo não saiba ao certo. E tenho culpa nisso, sabe? Deixei tantas lacunas, tantas perguntas não respondidas.

- Como assim? Por que você pensa que ela neste momento acha que você é alguém que brincou com os sentimentos dela?

- Talvez, porque eu nunca a tenha deixado fazer parte da minha vida.

- E por que você fez isso?

- Por quê?

- Por favor, entenda. Não estou aqui para julgar ninguém. Não estou dizendo que você esta certo ou errado. Nem muito menos ela, que não conheço. Eu só conheço você, meu amigo. Conheço o suficiente para saber que seria incapaz de brincar com algo que lhe é tão precioso, o sentimento.

- Não seria e não sou. Eu jamais brinquei com os sentimentos dela. Seria como brincar com os meus. O castelo era de cartas, mas o sentimento era verdadeiro. Sempre foi.

- Então...

- Ela é uma pessoa incrível, sabe? Admirável. Eu a amei intensamente. Eu a amo intensamente. E duvido muito que alguém que a conheça, assim como ela me permitiu conhecê-la, consiga nutrir algum sentimento diferente disso. Ela é apaixonante. Em tudo. Tudo o que faz, tudo o que fala, as atitudes, o carinho. Impossível não amá-la. Impossível não se apaixonar por ela. Impossível. Tão impossível que eu me apaixonei, que eu a amei, e, ainda amo.

- Ama?

- Amo. Meu Deus! Como eu amo essa mulher! Como eu a amo! Nunca senti o que sinto em relação a ela por ninguém. Essa entrega, essa necessidade, sabe? Às vezes, eu só precisava saber se ela estava bem ou como estava sendo o seu dia. Isso que parece bobo para muitas pessoas, me era fundamental, essencial. E ate mesmo agora, com toda esta situação. Acha que estou me importando comigo? Não. Posso ser atropelado daqui a alguns segundos, ou, algum mal irremediável me acontecer que nada disso será algo de importante para mim. O que realmente me importa, me deixa assim, desesperado, é não saber como ela esta. É pensar que eu, a pessoa que mais desejava protegê-la de toda e qualquer dor, tenha sido o responsável por tanto sofrimento.

- Sim, você a ama.

- Jamais duvidei disso. Passaria horas falando dela, que mesmo assim não estaria descrevendo a terça parte do que ela realmente é e do que ela representa para mim.

- E por que não deixou essa mulher que lhe é assim tão importante, tão digna do teu amor fazer parte da sua vida?

- Tantas coisas aconteceram. E eu tomei decisões erradas pelos motivos certos. Eu só queria protegê-la. Não queria que nada maculasse o amor que tínhamos. Mas, não enxerguei a tempo que tudo o que eu estava fazendo estava criando motivos para que o contrario acontecesse. Nos últimos dias, só brigamos. As nossas despedidas eram sempre frias. Não parecia nos dois. Não parecia. Deixamos que muitas coisas se interpusessem no nosso amor. Mas, eu tenho a maior parcela de culpa nisso tudo. Eu deveria ser bem menos certinho. Eu deveria ter me deixado levar pela intensidade do meu amor. Quem sabe agora, eu não estaria aqui contigo, contanto uma historia bem mais feliz, regrada a sorrisos e risadas, ao invés de lagrimas e soluços.

 

Uma nova pausa. Eu tinha levado ao extremo do sentimento a minha narrativa. Eu não conseguia mais, por hora, seguir adiante. Era preciso respirar. Eu balançava a cabeça incontáveis vezes, como se não acreditasse que tudo isso estava acontecendo. Não comigo. Não com a gente. Tínhamos algo tão nosso, tão certo. A única certeza que eu tinha em toda a minha vida. E agora, eu estava ali, me sentindo tão vazio, tão incompleto, tão ausente de mim mesmo. Eu nunca desejei terminar com ela. E eu que nunca sequer imaginei que um dia poderia não te-la comigo, agora teria de aprender a viver os meus dias sem ela. Não fazia sentido. Não fazia, não faz. Não faz.

 

- Onde ela esta agora?

- Eu não sei. Ela não quer mais falar comigo. Ela me odeia, certamente. Ela me odeia, me acha o pior dos homens.

- Acho que quem odeia não diria algo do tipo como o que me disse há pouco. Palavras dela, você mesmo me disse. Não, meu amigo, ela não te odeia. Ela te ama. E talvez, o ame bem mais do que imagina.

- Ela me odeia, eu destruí a vida dela.

- Bem, eu não sei, não a conheço tão bem como você disse que ela permitiu a você conhecê-la. Eu só tenho o que você me conta. E se eu fosse ela, e, estivesse odiando você por qualquer coisa que tenha acontecido ou deixado de acontecer, eu não diria nada parecido com isso.

- Você não ouviu a voz dela. Um tom tão imperativo. Ela dizia com tanta certeza, com tanta firmeza que tudo estava acabado e que eu não mais ligasse para ela, escrevesse ou deixasse recados.

- Então, ela lhe fechou todas as portas. Ela não quer mais te ver.

- Ela disse que se eu achasse que ainda tivesse algo a ser dito, que a procurasse, que nem ligasse para ela, que fosse diretamente ter com ela.

- Acaso, meu amigo, não pensou que isso é tudo o que ela quer? Que ela verdadeiramente espera uma atitude de você?

- Não penso em nada.

- Mas, observe, meu amigo. Analise com a razão o que acabou de me dizer. Você me conta que ela te pediu que não mais escrevesse ou ligasse para ela. Mas, no entanto, ela não o impede de ir ter com ela. Não o impede porque, na verdade, isso é o que ela espera.

- Não sei se tudo pode ser tão matemático assim. O tom das palavras dela me faz acreditar que não é assim tão matemático. Ela talvez esteja sendo gentil. Ela sempre foi gentil. Ela é assim mesmo, perfeita.

- Ninguém é perfeito. Nem você, nem ela, ninguém. Não sei, mas algo me diz que esta historia toda ainda esta em aberto.

- Não quero criar expectativas. Não quero sonhar, e, depois descobrir que a queda é certa.

- Não estou querendo criar expectativas em torno de nada. Eu apenas estou te dizendo que é preciso ir ter com ela. Nem que seja pela ultima vez. Uma conversa. Que seja a ultima, mas ela se faz necessária. Diga a ela tudo o que ela quiser saber. Preencha todas as lacunas que há pouco se referiu. Responda todas as perguntas. Coloque tudo em seu lugar e se depois disso, vocês concluírem que acabou, siga o teu caminho, meu amigo.

- Eu não sei. Ela me disse algo assim, sabe? Sobre eu seguir o meu caminho e ela o dela. Não sei se indo ate ela seria algo bom. Alem disso, a mãe dela esta lá. E a mãe dela me odeia, com certeza. Não deixaria eu sequer chegar perto dela.

- Olha, eu não posso te dizer o que fazer. Na verdade, ninguém pode. Ninguém pode dizer o que você deve fazer, assim como ninguém pode dizer o que ela deve fazer. Se a mãe dela te odeia, isso é uma outra historia. Não esta em questão aqui. Isso o que vocês tem a resolver é algo que só diz respeito a vocês dois. Ninguém sabe direito o que aconteceu entre vocês, somente vocês dois. Todos nos, que estamos de fora disso, podemos dar os nossos palpites, mas isso é algo que só diz respeito a vocês dois. Vocês viveram uma historia, independente de qualquer outra pessoa. Eu posso dizer muitas coisas agora, a mãe dela pode dizer outras tantas, mas só vocês dois poderão resolver isso. A questão que você deve procurar responder agora, meu amigo, é o que você quer? O que é importante para você agora?

- O que eu quero? O que é importante para mim agora?

- Sim. O que você quer?

- Eu quero ficar com ela.

- Então, vá ate ela. Enxugue as lagrimas, levante agora desta mesa, e, vá ate ela e diga tudo o que você sente. Se isso tudo der em nada, ao menos você terá a certeza de que fez tudo o que podia, que viveu uma historia linda, intensamente, do inicio ao fim. Mas, que haja um fim, para que você possa ter certeza disso tudo.

Escrito por Ariel às 11h28
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

22/12/2008


 

- Mais uma xícara de café-

Parte II

 

Passavam das duas da tarde. Estávamos ao fundo. Poderíamos conversar horas naquele que era o meu confessionário que não seriamos interrompidos. Mas, mesmo assim, eu não me sentia totalmente à vontade. Algo me perturbava, me agitava. Não era o lugar, nem tão pouco a sua presença. Talvez, eu precisasse de algo mais naquele momento. Algo que nem eu mesmo sabia o que era.

 

- Ei! Calma! Ainda nem lhe dei a penitencia! Por que esta tão nervoso? - disse ela, observando a minha intensa agitação, pousando a sua mão sobre a minha.

 

Era o que eu procurava. Talvez, não exatamente isso o que eu procurava, mas o que eu precisava. De algo que me trouxesse de novo a sobriedade. E ela mais uma vez soube fazer isso. Apenas tocando a minha mão, segurando-a. Senti-me mais seguro para falar.

 

- Desculpe. Estou mesmo agitado, mas não mais do que perdido.

- Pois eu lhe achei agora, esta entre amigos. Conte-me.

- Acho que fiz uma besteira.

- Uma besteira? Como assim?

- Terminei com a...

 

Nem consegui terminar a frase. Não conseguia nem sequer pronunciar aquele nome, que me vinha toda a dor pungente em meu peito. O pouco que falei foi o suficiente para ela entender do que se tratava. O silencio tomou conta daquela mesa. Por alguns segundos ficamos assim, emudecidos. Eu por não conseguir ir adiante. Ela, talvez, consternada diante a minha situação. Mas, eu havia começado. Era preciso continuar.

 

- E por que você acha que isso foi uma besteira? - rompeu ela o silencio.

- Por que eu a machuquei. Eu a destruí. - conclui.

- Imagina! Você não fez isso. Não pode se culpar por algo que não deu certo.

- Mas, eu não queria machucá-la. Não queria que ela sofresse mais. Eu aceito que ela termine comigo, mas eu não posso aceitar que eu a machuque.

- Não pode fazer isso com você, meu amigo. Não se culpe por isso. E você não destruiu a vida de ninguém. Vocês se amaram, mas infelizmente, não deu certo. Havia riscos que os dois aceitaram correr.

 

Outro silencio. Eu não sabia mais se tinha sido uma boa idéia começar aquela conversa. Eu estava triste, triste demais para ser refletido pelas palavras dela. Mas, acima de tudo, eu estava preocupado.

 

- Desculpe, mas preciso ir. - disse, levantando-me da mesa.

- Fugir não vai adiantar nada. Ainda mais de mim. A questão o acompanhara por todos os lugares, mesmo que você se refugie no fim do Universo. Pode se esconder do mundo, mas jamais de você mesmo. É preciso enfrentar, para superar. - disse ela, retendo-me com a sua mão em meu braço.

 

Sentei outra vez. Ela estava certa. Por mais que eu tentasse, onde quer que eu fosse, tudo isso me acompanharia, por todos os lugares. Não adiantava fugir. Era preciso enfrentar, mas...

 

- Como? - perguntei a ela, quando, na verdade, deveria perguntar a mim mesmo.

 

Ela sorriu mais uma vez. Talvez, tenha percebido a minha confusão. Ou talvez, apenas estivesse tentando dar um tom mais ameno aquela conversa.

 

- Você mesmo dirá como. - concluiu.

- Mas, eu não sei como. Alem disso, eu tenho...

- Medo? - interrompeu ela.

- Medo...

- E que mal há nisso? Todos temos medo. Você não será a primeira, nem a ultima pessoa a sentir medo. Ela talvez sinta medo também. É certo que sente. O que não pode, meu amigo, é deixar este medo dominar você.

- Pois é... - disse eu suspiroso.

- Eu sei que é bem mais fácil falar. Eu sei. Mas, é preciso enfrentar tudo isso, com medo ou sem medo. Erga a cabeça, sacode a poeira.

- Tenho vontade de chorar.

- Então chore, meu amigo. Chore, copiosamente, mas chore. Chore tudo o que tiver de chorar, vá ao fundo do poço. Ate que um dia você venha a se olhar no espelho e diga a você mesmo "chega".

- Minha vida acabou. E o pior é que eu acabei com a dela também.

- Pare de falar assim. Deixe de ser trágico. É o inicio, o começo de uma nova etapa. Para você, para ela.

- Não se pode começar o que não teve fim.

- A vida não se resume a ela.

- Talvez.

- Talvez não. É assim. Meu amigo, o que de tão terrível você fez a ela a ponto de acabar com a vida dela?

 

Um suspiro longo e profundo. Como responder a essa pergunta sem memorar o passado, um passado tão vivo e recente na minha cabeça. Mas, talvez fosse melhor falar tudo, me abrir. Era preciso voltar a respirar.

E mais uma vez, ela pousou a sua mão na minha, quando eu ainda podia sentir o cheiro do café em nossa mesa.

Escrito por Ariel às 11h41
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

21/12/2008


VejaBlog - Seleção dos Melhores Blogs/Sites do Brasil

Escrito por Ariel às 23h31
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

 

- Mais uma xícara de café -

Parte I

 

E lá estava eu mais uma vez me preparando para mais uma consulta naquele mesmo lugar. E poderia ser outro? O cheiro dos livros novos, paginas frescas, recém saídas das editoras estavam inebriando o ambiente, e, ao fundo eu poderia sentir distintivamente o aroma que me era tão familiar em tardes como aquelas. Sim, como eu poderia esquecer? Era o mesmo aroma de todas as outras vezes. E não poderia ser mais conveniente. Eis que ao final daquelas imensas e intermináveis prateleiras de acervos literários, com a face encoberta por um exemplar instintivamente devorado, não pela primeira vez, encontro quem eu vim encontrar, sem ao menos saber. Gentilmente me aproximei daquela mesa, e, sorri ao confirmar que se tratava de quem eu imaginava. A resposta foi mais do que uma ratificativa. Foi um convite para mais uma xícara de café.

 

Sentei-me. Ela, então, retirou os olhos daquelas paginas, talvez pela primeira vez em toda à tarde, e pousou em minha fronte. O sorriso de outrora se desfez em uma fração de segundos. Um franzir de testa surgiu sorrateiramente, e, com o mesmo tom surpreso, ela me perguntou o que estava acontecendo. A resposta veio após um breve e seco sorriso.

 

- Como podes saber que algo acontece? Eu sequer falei algo!

- Não é de hoje que te conheço, meu amigo. Sei exatamente quando acontece algo. Você não é capaz de me esconder nada, e, creio que seria incapaz de esconder algo de alguém. Por isso, me diga o que acontece?

- Não desejo atrapalhar. Estava tão envolvida pela leitura. Não me emprestaria os ouvidos para a minha lacônica narrativa.

- Lacônica narrativa? Meu Deus! Passei a me interessar por narrativas lacônicas neste exato momento. Estou me especializando nisso. Ah, por favor, não precisamos disso! Somos tão amigos, há bem mais tempo que me ouso lembrar. Conhecemos-nos tão bem, eu a você, e, você a mim. Tão bem o suficiente para você saber que já deve ser a vigésima oitava leitura que faço deste livro.

 

Sorri. Ela estava certa. Sempre a vejo refugiada naquele velho exemplar. Acho que quando ali aparecia, todos já a reservavam a mesma mesa, ao fundo, e traziam aquele mesmo livro, sem que ao menos ela dissesse uma só palavra.

 

- Humm. Já sei o que falta. Quer um mote? Pois eu lhe darei um. - disse ao fim do meu rápido silencio.

 

Então, ela fez um gesto delicado com a mão direita, dirigindo-se a um daqueles meninos, que mais se divertiam do que vendiam aquela tarde. Foi o suficiente. Minutos depois, eu já podia sentir o aroma do café, suspenso sobre nossa mesa. Era o mote. Ali, começava a minha consulta.

 

- Então, tenho uma hora? - perguntei.

- Tem quantas horas quiser. Não tenho pressa. O café esta posto, mas eu odeio café.

- Eu sei, nos dois odiamos e você sabe disso. Então, porque pediu?

- Achei que isso lhe faria bem.

Escrito por Ariel às 16h31
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

15/12/2008


Escrito por Ariel às 09h45
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

11/12/2008


Hoje, minha irmã mais velha veio me visitar... terceira visita em quase duas semanas... um recorde, vindo de ti, Rê... e tomo a liberdade de escrever isso aqui, pq é algo de teu pleno conhecimento... algo que eu acabei de lhe responder, com mais meia dúzia de palavras que me estavam atravessadas há anos... tu me ouviste... aliás, nestes anos todos, não me lembro uma única vez em que tenha me ouvido assim, tão amiude em detalhes. Tu me ouviu, e, para a minha total surpresa, reconheceu que eu estava certo... que ela se deixara levar pelas coisas frias, por valores ínfimos perto do que deveríamos ser, já que não temos mais nossos pais, só a nós mesmos... recordou-me das vezes, que ela, quando eu era guri, aliviou-me junto ao meu pai, e, das vezes, que distraiu a minha mãe, enquanto eu me desfazia em algum lugar oculto daquela abóbora... tu sempre soube que eu detestava abóboras... nós dois detestamos... "e alguém tem ainda alguma dúvida de que somos verdadeiramente irmãos?"...

Eis que ao final de nossa conversa, tu me estendes a mão com um envelope... dentro, uma carta, que tu me fizeste prometer que só leria assim que tu partisses... não queria estar sobre meus olhos quando estivesse ao cabo dela... pedido teu... respeito... e quando deu teus derradeiros passo àquela porta, eu antecipei-me a ti... pedi que me esperasse por alguns minutos... que assim como ela, eu tb tinha um envelope para entregar-lhe... um pouco maior, mas certamente, de conteúdo de igual importância... ela estava surpresa, mas atendeu ao meu pedido... fui até o quarto, e, na gaveta da miha mesa de cabeceira, estava o envelope, que eu já tinha preparado há alguns dias... estava tudo ali... mas, ao contrário dela, exigi que ela abrisse meu envelope na minha frente, para que ela se certificasse, assim como eu, de que estava tudo ali, em ordem, e, que tudo ia permanecer do jeito que estava... ela abriu, e, foi com muito espanto que ela tomou ciência de tudo que estava dentro... perguntou-me por que, para que, de onde... eu só apontei para os papéis... cópias do meu testamento, chaves de segurança dos sistemas do escritório, senhas de banco, e-mails, msn...

 

Ela quis rejeitar, mas eu convenci, e, descobri que ainda tenho algum jeito para isso, de que era melhor assim... ela, então seguiu... e eu, com o envelope dela na minha mão olhava ela desfazer o caminho, enquanto, eu memorava os últimos acontecimentos... já tinham se passado alguns minutos, quando recobrei os sentidos e descobri novamente o envelope em minhas mãos... dentro havia uma carta... não muito longa... não muito curta... alguns trechos me foram sensivelmente sentidos... talvez, para eu não me esquecer de que eu ainda faço parte deste mundo... pelo menos, para alguém...

"confesso que estive longe, ausente, mas, esse teu momento me fez pensar, me fez lembrar do pai e de tudo que ele nos pediu. Nós três deveríamos ficar unidos, haja o que houvesse. Nosso pai permaneceu ausente e distante de nós durante a sua vida inteira e quando ele mais quis ter o que ele havia negligenciado durante anos, a vida deu o seu golpe de misericódia..."... "não quero que isso aconteceça de novo. Não comigo, não com a gente, "digo"... Sei que somos tão diferentes, mas sei do coração imenso que tu tens, sei do teu auto-flagelo por nós, sei que colocaste tudo acima de ti, a vida de todos, sei que abriste mão de tua própria felicidade. Não digo que não tenhas erros. Tu tens, cabeça de bagre, tu tens, mas, é nos teus acertos que me sinto orgulhosa do homem que se tornaste: cara do pai, jeito do pai, mas, coração da mãe. Mamãe ficaria orgulhosa de ver como tu estás enfrentando tudo isso e que não abandonaste os teus ideais. Sei que tens momentos de fraqueza e quem não os tem, digo? Tu não tens que ser perfeito. Tu és um ser humano, cheio de imperfeições, cheio de desejos, de vontades, às vezes, ficava olhando a forma como tu brigavas com aqueles homens. Tu tão doce, tão sereno e ao mesmo tempo tão firme e seguro. Se eles imaginassem a gelatina que tu és, não terias vencido. Arriscaste, jogaste alto, encolheu tua vida, optou pela penumbra ao invés de uma liberdade desonesta, a merce do sofrimento alheio. Tenho orgulho do que fizeste, digo, mas, tu pagaste um preço alto demais. E eu deveria ter dividido essa cruz contigo..."

"posso estar longe, posso estar perto, mas tu serás sempre meu irmão, o mais doce de todos e que sempre tem algo a ensinar para mim. Não me importa o que pensam e dizem de ti. Quem fala, não te conhece, não sabes a alma que tens..."

"só não esquece que amamos muito a ti e que estaremos sempre ao teu lado. Agora e sempre. Isso é ser família. E é exatamente o que somos..."

 

(By, Rê. S.) 

Escrito por Ariel às 15h54
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

duas músicas... nenhuma palavra

Escrito por Ariel às 10h48
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

10/12/2008


Uma coisa estranha tem acontecido comigo nos últimos dias... tenho relembrado, sem que nada provoque a recidiva de tais lembranças, de fatos do passado... mas, não são fatos de dois dias, 3 meses, 4 anos não... são fatos de muito antes... de quando eu ainda era guri...

Hoje, por exemplo, há poucas horas atrás... uma música insistia se fazer presente na minha cabeça... até que eu, por ato de puro reflexo, decidi cantá-la... e era exatamente assim:

"Mãezinha do céu, eu não sei rezar

Eu só sei dizer qu'eu quero te amar

Azul é seu manto, branco é seu véu

Mãezinha eu quero te ver lá no céu..."

Bah, eu tinha 4 anos quando cantei essa música pela primeira vez... e a medida que cada verso saía pelos meus lábios, a imagem que vinha na minha cabeça era eu guri, o primeiro da fila, cantando essa música, e, torcendo, profundamente, para que mais guris viessem compor aquela fila comigo...

Acabei de chegar... fui a missa, na igreja de São Judas Tadeu... está tendo uma novena lá... e, mesmo sendo longe da minha casa, eu quis ir... foi bom... fiquei bem... eu só perdi perdão por não ter agüentado o peso do meu corpo sobre os meus joelhos... mesmo com o auxílio da minha bengala, eu não consegui ficar muito tempo assim... mas, orei... e isso me fez bem...

Mais um flashback (se é que posso chamar o que tem me acontecido disso...) sobreveio agora, na volta para casa... desta vez, uma visão, clara e límpida de um fato que me ocorreu tbm quando eu era guri... algo que me causou profunda devoção... parece que foi ontem... eu pedindo a minha mãe que não esquecesse de comprar as minhas palmas,... e, que não esquecesse de levar as minhas asas... sim... asas... pelo menos, eu posso dizer, que, ao menos por alguns minutos, eu fui um anjo... um anjo que teve a honra de coroar Nossa Senhora Auxiliadora... minha protetora...

E só para terminar este post meio lá e cá... direto do túnel do tempo, eu não posso deixar de relatar a empatia que tive ao ver aqueles seminaristas a ajudar o padre na missa... e só de pensar que em um tempo lá trás, mas não tão lá atrás assim, era eu que estava ali...

 

Escrito por Ariel às 20h53
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

09/12/2008


se este blog tivesse música... seria qualquer uma dela...

Escrito por Ariel às 15h40
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

mais que uma propaganda...

Escrito por Ariel às 14h33
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

mente poluída...

Escrito por Ariel às 14h18
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Algumas linhas traçadas na cama... se ainda estou na cama?... sim, ainda estou e devo ficar por aqui... uma infecção tomou conta do meu corpo, que, por razão das quimioterapias, teve a sua tropa de elite avariada... por isso, não tem jeito... cama mesmo...

Há alguns dias atrás, no entanto... na verdade, há algumas semanas atrás, eu vivenciei uma situação que, neste momento, eu achei por bem relatar... então, vamos aos fatos.

Fato 1: Cenário

Bem, eu estava com fome... e sem paciência para cozinhar... sem ânimo mesmo... aí, tem logo ali um restaurante muito bom... e, olhem só... estava aberto... então, vamos jantar...

Fato 2: Visualização

Entrei no restaurante, e, fiz o trajeto habitual... bem, na verdade, creio que as minhas próprias pernas, sedentas e famintas, fizeram autonomamente, este percusso... devo dizer, contudo, que o translado ocorreu sem intercorrências...

Fato 3: Feitura do prato

Exatos 275g... distribuídos uniformente entre carboidratos, proteínas, e, uma pequena porção de vitaminas...

Fato 4: Surpresa

Sentei-me e comecei a jantar... foi então, que te vi... bem, não foi exatamente tu, mas era como se estivesse vendo a ti... o mesmo jeito, a mesma delicadeza de cada traço, o cabelo, a delicadeza do trato, do fino trato... ela sentou... o namorado dela tb... mas, na posição em que estávamos, eu e ela, ele não podia me ver... e nem ao menos perceber de que eu a estava observando... mas, não era ela... era ela... a minha... bem, enfim, tenho certeza de que se eu tentasse explicar isso a ele, ele não entenderia... na verdade, nem sei se vcs estão entendendo... eu a estava vendo... mas, não era ela... era ela... ai... complicado...

Fato 5: O frio

Mas, foi quando ela levemente ajeitou o cabelo com uma das mãos, liberando o pescoço a minha visão, e, a visão de quem quer que fosse, que senti um frio subir pelo meu corpo, e, me paralisar... um sinal... um sinal no pescoço... no mesmo lado... fixei mais o olhar... teria eu me enganado?... ela seria ela mesmo... ou ela era "ela"... a minha ela... fiquei confuso, não consegui comer mais nada...levantei da mesa, ainda com o meu jantar no prato, quase que intocável... me aproximei da mesa dela, sem saber ao certo o que eu ia fazer... e foi só quando a luz se fez mais incidente sobre ela, e, sobre o pescoço dela que eu percebi que o sinal dela era bem menor do que o original... bem... o garçom quis saber se havia algo errado com a minha comida... eu disse que nada...

... e eu, que sempre tive algo a dizer, fiquei ali, sob os olhares do garçom, sem saber o que dizer... retornei ao meu jantar, e, sai dali...

 

Escrito por Ariel às 09h32
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

06/12/2008


só o som...

Escrito por Ariel às 21h12
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

05/12/2008


Cabisbaixo. Ajoelhado. Ciente de tudo. Levantei a cabeça e meus olhos se depararam com um rito... um rito habitual em tardes como todas as outras. Os tecidos levemente se deixam tocar pelos ventos... suaves... brilho... muito brilho incessantemente queimando as minhas pupilas... fogo... fogo intenso, vasto e voraz... e ao olhar aquele fogo, me vi em uma situação controversa... vi e percebi que do fogo eu não fugia... ao contrário, eu o procurava... como se quisesse furtivamente queimar por entre suas chamas, que me eram tão amistosas... era como se elas me abraçassem... e disso eu não queria e nem pretendia fugir... buscava-o...

Acordes... acordes sublimes... o som que tomava conta daquele espaço com a sinuosidade do vento de muitas curvas, era-me tranqüilo, pacificador... os tecidos seguiam se compondo e descompondo, quase como um valsar diante aquela feliz sonata... meu coração permanecia ali... em acordes alquebrados e descompassados com a vida, mas tão intensamente cordiais e congruentes àquela sonata vespertina... ali, eu permaneci incontáveis horas... ali me fiz nos caminhos outrora percorridos, mas que por qualquer estúpida razão me arrefeci...

O mar de águas verdes... e suas tão orvalhadas ondas a banhar incansavelmente aquele leito arenoso disforme, compondo, juntos, uma preciosa obra... ali, naquelas águas verdes, por alguns minutos, mergulhei pensamentos quase tão profundos quanto o que meu olhos não podiam ver... pensamentos que não me foram submersos nem mesmo quando o vento se dispôs a brincar de gracejar com os meus olhos... como se quisesse arrancar deles algumas irmãs em forma... e em essência... ali, no verde das águas do mar depositei minha compaixão, minha serenidade, meu agradecimento, minha admiração, e, meu perdão... e em nenhum só momento, aquelas águas verdes do mar deixou-me... vinha de encontro a mim, acompanhada de suas tão orvalhadas ondas, como é de habitual... mas, por alguma razão a mim desconhecida, àquela tarde, o fogo e a água misturavam-se com tamanha homogeneidade, que eram indistintos a minha alma...

Obras da natureza... exemplo de vida... raiz de fé...

Escrito por Ariel às 21h52
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Perfil



Meu perfil
BRASIL, Sul, PORTO ALEGRE, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, French, Livros, Arte e cultura

Histórico